Como?

Programas de Cirurgia Ambulatorial são sempre multidisciplinares e centrados no paciente. É ele o foco de todo o cuidado por parte de equipes especializadas. Mas afinal: como implementar um programa de cirurgia ambulatorial?

O conceito de Cirurgia Ambulatorial pressupõe a existência de um circuito próprio – ou seja, uma trajetória – que o paciente segue desde o início de sua jornada.

Assim, a partir do momento em que um paciente é referenciado ou mesmo busca espontaneamente por atendimento em cirurgia ambulatorial, deve ser acolhido por uma equipe multidisciplinar que, além do profissional responsável pela execução do procedimento (cirurgião, cirurgião-dentista, endoscopista, ginecologista…), deve ser minimamente constituída por profissionais de enfermagem e de anestesiologista, preferencialmente os mesmos que serão responsáveis pelo procedimento.

Este contato prévio é essencial de modo que haja um conhecimento anterior e pessoal de todos os elos da corrente da atenção. Este contato pode ser presencial ou mesmo remoto, desde que de acordo com as diretrizes para teleatendimento em saúde, vigentes na localidade onde o programa é estabelecido. Desta forma, deve-se garantir não apenas uma comunicação fluida mas sobretudo a vinculação inicial de todas as partes.

Portanto, o paciente ao ser admitido na Unidade de Cirurgia Ambulatorial (UCA) será literalmente acolhido. Ao invés de um corpo estranho, ele é aguardado para o seu procedimento, de modo que todos os profissionais envolvidos na cadeia do cuidado já o conhecem, assim como os detalhes essenciais de seu contexto clínico: a razão ou motivo para o procedimento, aspectos gerais de saúde que possam influenciar no desfecho clínico e o contexto social em que o paciente se encontra.

Em outras palavras: importa saber as peculiaridades do paciente e seu entorno. Trata-se de alguém que reside a menos de uma hora da UCA em que será atendido? Tem um meio de transporte individual que possa garantir sua locomoção em segurança para o domicílio após sua alta? Tem um adulto capaz que possa auxiliá-lo ao menos nas primeiras 24 horas após o procedimento (em casos selecionados, esta recomendação pode não ser imprescindível)? Tem condições de manter comunicação com a equipe responsável por seu atendimento e de retornar a uma Unidade referenciada em caso de intercorrências?

Desta forma, havendo um vínculo prévio entre paciente, cuidador e equipe, os mesmos protocolos rotineiramente empregados em grandes hospitais de Cirurgia Segura podem ser otimizados em um circuito de cirurgia ambulatorial. Afinal, o conhecimento prévio entre todos os envolvidos no cuidado minimiza equívocos e falhas.

O procedimento em si costuma se desenvolver de forma bastante similar à que ocorreria em um hospital, mas sempre tendo em mente os cuidados transoperatórios recomendados para uma recuperação ágil e segura, conforme o preconizado nos protocolos da estratégia ERAS. Assim, a escolha deve sempre recair sobre os procedimentos minimamente invasivos, quando aplicável.

A forma de anestesiar o paciente é sem dúvida um grande diferencial no contato médico-paciente em cirurgia ambulatorial. Afinal, tudo é feito de modo a minimizar as principais intercorrências que ocorrem com frequência numa anestesia feita em ambiente hospitalar e que, muitas vezes, impedem ou dificultam a alta hospitalar precoce do paciente. Como exemplos podemos citar dores, náuseas e vômitos que não podem ser controlados com medicamentos orais e retenção urinária.

Assim, em Cirurgia Ambulatorial, evitam-se bloqueios raquidianos, intubação orotraqueal e uso de opióides, por exemplo. Tudo é feito pensando na pronta recuperação do paciente e liberação ao domicílio em poucas horas.

Da mesma forma, a interação entre cirurgião, anestesista e equipe de enfermagem durante o procedimento são essenciais para garantir um desfecho clínico otimizado.

Por fim e não menos importante, os cuidados pós-operatórios imediatos e tardios, liderados em geral pelas equipes de enfermagem. Questionários padronizados são aplicados em 24 horas após a alta, uma semana e trinta dias após. Ao final do processo, inquéritos de satisfação – sendo garantido o anonimato – são essenciais para feedback da equipe e melhora constante de protocolos e processos.

Portanto, podemos sintetizar a estratégia da Cirurgia Ambulatorial como um conceito que envolve o cuidado multidisciplinar centrado no paciente e suas necessidades, um circuito e protocolos de ação bem definidos e avaliação constante de resultados.

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